Cara de palhaço

janeiro 12, 2010

Televisões com buscas digitalizadas mataram prática interessante cultuada por telespectadores, digamos, pré-século-vinte-e-um. Aquela de trocar canal até curtir alguma programação, na sorte, amiúde. Via de regra, com as opções na telinha, sujeito vai direto ao programa predileto, julgando, assim, o conteúdo pelo título (filmes com nomes excêntricos como A feira negra em Budapeste, tristeza, quase nunca chamam atenção. Apesar do dito cujo ser um belo longa metragem, diga-se). Nada de chatices, nem poderia, pois também faço parte desse seleto grupo amante dos atalhos logo ali.

Entretanto, numa terça-feira qualquer, decidi criar armadilhas ao magnata transmissionador que atende pela alcunha “NET, TV por assinatura”. Passei por todos os canais do meu aparato, emissora por emissora. Em momento algum me entreguei aos mimos velozes do controle remoto. Foi como voltar aos anos 1998. A única diferença é que, agora, tenho, sei lá, 150 beldades para escolher. Nos 90, eram Globo, Record, Band e Manchete (saudosa TV Manchete…).

Pois bem, pois bem. No caso, desabafo seria pertinente. Apesar dos conteúdos plurais (sic!), não vi nenhuma melhora expressiva (qualitativa, como quiser…) no mercado dos movimentos. De quando eu ponderava minha décima terceira volta ao redor de Mercúrio, tudo igual. Mas, confesso, desta vez, demorou à beça para circular aquele bando de imagens esquisitas.

Enfim, companheiros de planeta, ainda gosto do Discovery Channel. Passa Mythbusters e outros quitutes para pseudonerds de plantão. Porém, a nova vibe é curtir documentários pela rede, mesmo.

Exemplos?!

Alguns sítios interessantes que podem enriquecer conhecimento alheio.

Só top de linha
http://topdocumentaryfilms.com/ (Foi paixão à primeira vista. Página cheia de documentários sobre todos os assuntos que internauta imaginar. Além de organizada, oferece sistema acha fácil. Valha-me de beleza!)

A sangue frio
http://www.documentary-film.net/ (Diagramação pode assustar visitantes despreparados, mas os filmes são bacanas [e revolucionários] aos que gostam de intrigas intelectuais palpáveis.)

Resgate profundo
http://freedocumentaries.net/ (Lugarejo descolado com vídeos famosos do mainstream. Perfeito àqueles que gostam de grandes produções. Acervo ainda é pequenino, mas visita é pra lá de válida.)

Sabichões
http://www.documentary-log.com/ (Meu predileto! É que eu gosto de temas espaciais e lá tem tudo a respeito das estrelas. As atualizações [quase diariamente eles colocam vídeo novo] viciam e ajudam a eliminar marasmo corriqueiro.)


Sorvete russo

dezembro 30, 2009


Esqueceram de avisar ao patrulheiro que o turno dele havia acabado em 2003. Ser polícia na Rússia é entrar numa fria.


Santa seita

dezembro 30, 2009

Àqueles que gostam de sensacionalismo sem vítima. Caiu árvore natalina artificial em Vladivostok. Esse mimo festivo custou aos cofres russos 5,3 milhões de rublos (cerca de R$300 mil). Baita prejuízo, eu diria.

Camarada antenado deve estar se questionando: “Natal? Rússia? Eles comemoram isso?”.

Comemoram. Mas em outra data. Não quero chover no molhado, pois já escrevi sobre o assunto ano atrás (leia aqui). Síntese diz que, na época da União Soviética, as pessoas foram obrigadas a abandonar qualquer tipo de prática religiosa. Venerações ao bom velhinho de roupa vermelha, inclusive.

Algumas famílias celebravam o Natal durante o Réveillon, única festa permitida pelos bolcheviques (que, ironicamente, significa maioria em russo). Os pinheiros verdinhos eram, então, ornamentados antes do dia 31 de dezembro. Com as mesmas papagaiadas ocidentais: bolas, estrelas, anjos, pipoca…

Povo intrigado, os soviéticos estariam a falar que o desastre em Vladivostok fora alguma maldição de Stálin e companhia. Por enquanto, a mãe natureza leva a culpa.


Terráqueos invadem a Terra

dezembro 29, 2009

Pravda.ru. Está aí um jornal cibernético de respeito. A começar pelo título: pravda (em português, verdade). Queria, mesmo, que todos nascessem sabendo falar russo. Ou ler, pelo menos. Noticiário bacana mostra reportagens que, certo, podem muito bem entrar no hall das matérias inúteis. Agora, companheiro, o que é utilidade para vossa pessoa, hein?

Tem gente que acha útil (aquilo que é necessário; proveitoso; vantajoso) saber que o presidente Lula não faz distinção entre partidos nas distribuições de verbas federais. Ou, melhor… Útil é saber que os Estados Unidos divulgaram fotos de cueca usada em ataque frustrado a avião. Sem contar com os préstimos das novelas. Quem vai ficar com quem no final, essas coisas pra lá de importantes.

Das duas uma: ou nossa sociedade é coisa de louco, ou há algo de podre no reino jornalístico.

Enquanto resultado fica sentadinho na caixa de pandora, à espera de um milagre (eu acredito em Papai Noel e você?), continuo a me deliciar com utilidades pessoais. Saber, por exemplo, os porquês da SETI – aquela organização que busca vida inteligente fora do planeta – nunca ter feito contato nenhum com a molecada esverdeada de além Via Láctea.

Isso, sim, é informação.


Gravatas

dezembro 28, 2009

A Lua é um queijo mal passado, com buracos de quem nunca sofreu por alguém. Tudo mais fácil quando criança…


Choque

dezembro 28, 2009

É no seu silêncio que ouço meus gritos.


Festanças desglobalizadas

dezembro 23, 2009

Colega de trabalho surgiu à mesa e faltou me implorar para que eu mudasse a situação desesperadora do jornalismo brasileiro. Disse-me que ficara enjoado depois de tarde inteira assistindo aos programas globais. Procurou sarna, respondi. Lembrei das ausências no blog e resolvi fazer pequena lista com dez coisas mais interessantes do que ficar na frente da Globo durante as festas de fim de ano.

Antes de tapar os ouvidos à contagem regressiva e dar um chute na bunda (cada vez menos adiposa) do Fausto Silva, saiba que recomendo (100%) o especial do rei Roberto Carlos. Pra ele, abro até singela exceção.

Bom, agite o champanhe e dê uma beliscada no chester da vovó, pois a lista está do peru.

(10 coisas mais bacanas do que ficar assistindo à rede Globo no final do ano.)

1- Colocar viagra no copo de vinho do papai;

2- Abrir o presente do amigo oculto da sua irmã e não embrulhá-lo de novo;

3- Ligar para os amigos no dia 24 de dezembro, às 23h58, e colocar seu hamster para bater um papo com eles;

4- Comer só a parte recheada do panetone de chocolate;

5- Rir por horas depois de proclamar aquela famosa frase: “É pavê ou pra comê?”;

6- Fantasiar-se de Papai Noel e só tirar a fantasia 4 dias depois;

7- Ler os classificados durante a ceia e ainda comentar sobre os preços altos dos veículos usados;

8- Trocar o nome, de propósito, da tia graciosa que só lhe dá cueca (ou calcinha) de Natal;

9- Perguntar sobre o noticiário do Botafogo para o primo palmeirense;

10- Brigar com sua mãe por ela ter misturado comida doce com comida salgada. Onde já se viu…


E tenhamos todos um feliz 2010…


Vida depois do quase morte

dezembro 15, 2009

Ainda sobre aquelas obras que sujeito imperativo (e) categórico recebe em tempo de guerras subjetivas.

“Paulo Renato, ou Pierre na Rússia, espero que você esteja satisfeito com minha infelicidade. Por favor, volte a escrever. Abraços, Ruth de Souza*.”

Réplica à lá Édipo… Perdoai, meus complexos. Falta-me metade nas minhas leis das metades. Mensageiro divino ainda espera intervenção servil para romper filologias baratas. De quando enquanto, continuo árduo caminho das racionalidades inventadas. Por hora, assim falou Zaratrustra.

*Dona Ruth tem 62 anos, gosta das flores e é vovó da Joana nas horas vagas.


Chauvinista

novembro 27, 2009

 

Percebo que essa de ser feliz não combina nada com blogueiros. Romântico demais, nerd demais, triste demais, sozinho demais. Entretanto, considero-me sujeito afortunoso. Tenho bela garota ao meu lado, amabilidade familiar, serei titio (e padrinho), gosto do meu futuro trabalho, tenho os meus amigos, além de tocar em conjunto musical sublime de epinício ímpar.

Sustentabilidade na era dos extremos, diriam.


Flores do mal

novembro 23, 2009

 

É só o amor…