É Natal em Moscou

 

Natal russo

Durante tempos obscuros, líderes da distante União Soviética baniram rituais religiosos na comunidade vermelha. Para eles, nada de adorar figuras místicas, apenas autoridades do governo. Por isso, era corriqueiro estátua de Kosygin, Stalin, faixas gigantescas de Lênin, ou Tikhonov.

Sem religião, sem Natal. À época. O inverno gelado reservava apenas uma eventualidade festiva aos soviéticos: a passagem de ano. Essa comemoração era, talvez, o único momento de alegria mútua do regime. Deveras comum mirar soldados a perseguir pessoas que estavam, acredite, sorrindo demais.

Ter, portanto, livre arbítrio para farras com os camaradas da região era algo a se comemorar, e muito.

Aqueles dias deixariam feridas eternas. Até hoje, quase duas décadas após a “redemocratização” russa, os habitantes ainda preferem as festas de Ano-Novo.

Entretanto, um bom velhinho, não um velhinho ocidental, visita a Sibéria, sim, senhor.

A Rússia celebra o nascimento de Cristo no dia 7 de janeiro. A data é diferente, pois se trata de um Natal Ortodoxo. Explico-lhe. De acordo com o calendário Juliano, o Natal estaria defasado do calendário Gregoriano por duas semanas. Interessante? Você ainda não leu nada.

Ao invés de Papai Noel, criado na barriga da Coca-Cola, os russos esperam por São Nicolau, padroeiro daquele país e das crianças. Ele também levava presentes, também era gordinho e tinha aparência graciosa.

A grande diferença é que São Nicolau realmente existiu. Ele nasceu em 217 d.C., na Ásia Menor. Essa figura gentil ficou conhecida por salvar três crianças pobres da prostituição, ao dar a cada uma delas sacos com ouro*. Daí o porquê das tradicionais bolsas natalinas.

Para entregar os mimos, São Nicolau conta com a ajuda do companheiro Ded Moroz (Avô Geada, em português). A barba é branca e longa. Roupas confortáveis protegem-no contra o frio.

Às vésperas do dia 7, bastante comida para alimentar a família, viva e morta. É tradição na Rússia reservar um lugarzinho à mesa aos parentes que (sem trocadilhos) já “bateram as botas”. A vela, ao centro, simboliza a luz de Cristo. A decoração da yolka (árvore) é feita antes desse banquete.

Ao final da ceia, a matriarca genealógica faz, com um pouco de mel, o sinal da cruz em todos os convidados. Solenidades terminam com a seguinte frase: “Que tenham doçura e muitas coisas boas na vida durante o ano que vem.”

*Diz a lenda…


7 Respostas para “É Natal em Moscou”

  1. Lívia Amorim Disse:

    Boas informações e bom post também. Vc já está na russia?

  2. Mari Disse:

    Que história legal! :) Viva São Nicolau! ehehehe

  3. Clara Disse:

    Hoje não foi um dia mto legal pra mim, mas li seu texto e fiquei feliz. Bjão Pierre.

  4. Flávia Disse:

    Natal comunista, ñ sabia que existia. Alguém já te falou que vc escreve muito bem? ;)

  5. Rita Lemos Disse:

    Minha filha está morando com uma família russa, em Moscou. É exatamente isso que acontece.

  6. Luana Disse:

    Foda demais esse texto Pierre,

  7. Luiz Eduardo Nogueira Disse:

    Prefiro o natal com coca-cola mesmo. Festa cheia de restrições, mto chato. Muito melhor do que venerar Stálin e outros idiotas soviéticos. Minha opinião somente.

Deixe uma resposta